segunda-feira, 13 de abril de 2009
Deixe a melanina fluir. Deixa cair. Deixa balançar.
A chuva da outrora cidade da garoa quase afastou a galera que ia pro show. Não foi o caso, do contrário não haveria três sessões, uma seguida da outra. Todas foram abertas pelo DJ Gran Master Ney e pela Equipe Soft Fest, que aqueceram a galera com soul e funk, de James Brown a The JB’s. Cada um carrega anos e bailes com milhares de pessoas nas costas. Festas R&B e Samba Rock eram eventos grandiosos no fim dos anos 80: lotavam clubes esportivos com gente vestida na estica e soundsystem amplificadíssimos. “Um tempo bom, que não volta nunca mais”, mas nem por isso não pode ser lembrado — ou revisitado, como tem sido feito.
Também são responsáveis por isso bandas como Os Opalas, Farufyno e o próprio Clube do Balanço. Subindo ao palco ao som de Zula, o vocalista e guitarrista Marco Matolli já faz todo mundo sócio do Clube. O percussionista Fred Prince vem na marcação cadenciada do samba enquanto o batera Edu Peixe varia nos ataques a seus pratos. A metaleira só favorece ao balanço. O tom fica mais suave com A Sereia e o Marujo, mas a interpréte Tereza Gama faz questão de não deixar a peteca cair com seu vozerrão que sai fácil, fácil. Com a Equipe de dança do Moskito estaria mais do que feito o baile senão fosse a falta de um convidado de honra.
Simoninha que me perdoe, mas o convite mais célebre foi o de Simonal. A começar por “Vem Balançar”. Encantada por Elis e Simona, a canção é a receita de um arranjo imponente de sambajazz. Pro samba-rock, o Clube somou o trompete de Reginaldo 16 e o trombone de Tiquinho, mas perdeu muito enquanto subtraia a virtuose do piano e da bateria — no original, provavelmente, do Zimbo Trio ou Som3. Chegando Simoninha, Simonal está mais no palco do que nunca. Talvez na figura de Simoninha (é inevitável não juntar um no outro, ainda mais com trejeitos, o dar de ombros, o “deixa cair”), mas principalmente no seu melhor: a música.
Atualmente, o legado de Wilson Simonal é pouco conhecido pelo grande público. Aquele que chegou a ser um dos maiores (senão o maior) cantor do Brasil quase nunca é lembrado por sua herança à música brasileira: divisões harmônicas, voz melódica, arranjos orquestrados, etc. O presente dado por Simonal e pelos músicos que o acompanharam ao cancioneiro brasileiro foi em muito condenado ao ostracismo, tal qual ele mesmo — vítima de um “pessoa errada na hora errada no lugar errado”. Para o bem dos ouvidos, o rei da pilantragem e de muito mais tem sido relembrado ultimamente, junto dessa retomada dos bailes e da música negra autentica brasileira.
Assim, além de “Vem Balançar”, Clube, Tereza e Simoninha ainda interpretaram a brincalhona “Galha do Cajueiro” e o lado-B “Colecionador de Amigos”. O set list ainda contou com “Paz e Arroz” e “Balanço”. O espetáculo de dança do Moskito e o espetáculo da sua parceira são outros detalhes que deve ser lembrado. No mais, é só balanço.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Rave do eu sozinho e um pouco mais
Aconteceu a primeira rave sem música em Nova York. O evento, que já se realizou na Europa, ocorreu na Union Square. Uma multidão de jovens dançando com cada um escutando à playlist do seu iPod.
Não vá pensando que é só chegar e dançar. O negócio tem uma série de regrinhas para deixar a "vibe" mais coletiva possível. Pra muitos é algo retardado. Eu vejo mais como uma metáfora que todos os participantes compram. Com tudo cada vez mais individual a necessidade pelo outro recrudesce. Haja vista, por exemplo, o coworking. Todo mundo quer se sentir mais social nesse mundo de metaverso.
* Pauta 2
E a Virada Cultural chegando, hein. presença confirmada no Mundo Livre SA, no Sick Sick Sinners, no Orquestra Imperial e no Ultraje a Rigor. Vai ter muito pano pra manga. E quem sabe algumas surpresas (boas, espero!)
* Pauta 3
O Lúcio Ribeiro e seus rumores. Diz ele que podem aterrisar por aqui Joss Stone, Megadeth, Guns, Red Hot, Madonna — e isso é só o primeiro parágrafo.
Pelo sim — Overcoming Folk Trio na Virada vai tocar — e pelo não — Rage Against the Machine, como ele disse há um tempo — é bom economizar uma grana.
domingo, 20 de abril de 2008
Finalmente os brasilienses do Móveis vieram pra sampa e pisaram em solo Uspiano, cumprindo rumores de algum tempo atrás.
Movéis Coloniais de Acaju no Festival Alternativo da POLI - USP, dia 19 de abril.
O Montage chamou a atenção e cumpriu a proposta. A sonzera eletrônica da dupla espantava quem não estivesse acostumado, mas não deixava de fazer as pernas se mexerem — e o movimento contido das pernas se multiplicava por mil pra galera "na vibe" da frente do palco.

Fico feliz por ter visto que o Cansei de Ser Sexy tem rendido algo aqui no Brasil também. Como disse o Lúcio Ribeiro, dá pra fazer um som no Brasil sem ter nada brasileiro impregnado. E isso não é no sentido pejorativo, não na leitura do impregnado. Talvez seja pejorativo pensar que a tal da globalização dos anos 90 não vai sumir mais — nesse caso cada um pensa como quer. No last.fm, contudo, pediram Montage na Inglaterra. É o hype? E eu to com "I trust my (fuckin) dealer" na cabeça...
E vamos ao Móveis! O show mais esperado, sem dúvida. A espera tinha sido longa até então. As filas da cerveja faziam brotar pessoas e metros, a rotatividade do público já era alta e a demora começava a encher o saco. Os brasiliense, enfim, subiram ao palco.
Abriram com uns lados-B da banda (como assim? lado-B duma banda que nem tem Coletânea/Perfil! É o hype (?) ), mas não deixaram de empolgar lodo de início.

Os metais como a flauta e o sax foram comprometidos pela estrutura, não tinha jeito. Os caras são uma big band tocando num palco razoavelmente pequeno. O engenheiro de som fez milagre pro teclado aparecer junto dos trompetes, com um pouco de ajuda da acústica do local. Felizmente o resultado foi bom.
Onde estive pulularam bates-cabeça com tentativas mais afoitas de moshpit, nada que não fosse abortado. Quando tocaram Seria o Rolex a galera pulou como nem parecia na melancolia da letra — e da melodia, em parte: ninguém mais acha que lembra Unchain My Heart do Ray Charles? Falando em Ray, eles mandaram junto da galera um Hit the Road Jack, suave e bem levado.
Algumas músicas novas prometem. Não me recordo dos nomes, nem muito das músicas. O que tenho certeza é que elas continuam bem desenhadas, com a conversa sutil do sax-trompete e baixo-teclado, ao estilo Móveis Coloniais que vem se formando. Não esqueci também da solada do batera. Simples e entremeada pela pegada ska.

Móveis Coloniais de Acaju representaram a cena alternativa. Ou melhor, a cena da música como alternativa pra tanta coisa ruim que tem se ouvido. Pois é, alternativo é aquilo que se chamou underground por um tempo, agora se chama indie e depois sabe lá deus (ou alguma gravadora) o que vai ser.
sábado, 19 de abril de 2008
Primeiro, o Arnaldo.
Enfim, o começo:
Analdo Antunes no Beco do Aprendiz, domingo passado (13 de abril).

O show era de graça (promovido pela Eletrocooperativa) e aconteceu no Beco do Aprendiz, na Vila Madalena Madaloca Madá e variantes... O cenário felizmente foi propício para Arnaldo criar e recrear.
O músico caminhou bem a performance, sem chamegos ou aversões à platéia. També, pudera: ali todo mundo se conhece: o público, Arnaldo; Arnaldo, o público. Por mais que a frase ainda seja dita ("ele pode fazer qualquer coisa, cara, é o Arnaldo" o poeta-músico-cantor-artista se comunica e transforma cada um que vê o show.
Ele sabe até onde vai com suas poesias enquanto são feitos alguns ajustes. Sabe fazer o charminho pro pessoal pedir bis. Sabe mandar uma dancinha que muito me lembrou o Chico caranguejo de andada Science. Sabe satisfazer os pedidos da platéia (Lavar as Mãos, com trecho logo abaixo)
Arnaldo fez juz à sua persona camaleona ao tornar a apresentação tão aconchegante quanto o local — que por vezes não ajudava o timbre grave de sua voz. Seus músicos merecem atenção, (é claro) em especial o tecladista que "arranhou" na sanfona uma apresentação à parte, uma que agradaria o Rei do Baião ou um tiozinho do Leste Europeu.
Nem tudo é Malu Magalhães — pedras sobre minha cabeça.
*A foto e o vídeo são do celular, dá um desconto!
* O show do Móveis Coloniais de Acaju fica pra mais cedo, quando eu acordar.